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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Pão doce

Em geral, fazer massas é complicado. Seja de pasta, pizza, tortas, petiscos ou pães. Elas costumam ser temperamentais e exigem muito tempo de dedicação. Outro fator, ainda mais complexo, não depende do cozinheiro: o clima.
Estou me prometendo fazer pães há algumas semanas. Porém, com o clima instável dos últimos meses, aqui no interior de São Paulo, ficou difícil cumprir essa meta. Apesar de já estarmos na primavera, estação que promete um clima mais quente, o que temos vivenciado são os ventos gelados, típicos do inverno.
Hoje, para alegria geral, amanheceu mais quentinho, então resolvi arriscar e fazer a massa de Pão doce do Larousse. Para isso eu peneirei 500 g de farinha de trigo sobre a minha mesa de pedra. Misturei a ela um sache de fermento biológico seco. Fazendo uma cova no centro da mistura, acrescentei a manteiga, o açúcar e a pitada de sal. Misturei todos os ingredientes e acrescentei o leite morno.
O meu grande problema em cozinhar logo que eu acordo é que nesse período do dia costumo estar um tanto quanto distraída. Com isso me esqueci, completamente, de tirar fotos dessa etapa de preparo da massa.
Ao reunir todos os ingredientes, finalmente veremos a massa tomar forma. Aí basta formar uma bola, colocá-la em local de temperatura mais elevada, cobrir com um pano grosso e esperar algumas horas para que ela fermente e aumente o volume.
Como dou aulas a tarde, minha massa ficou descansando por aproximadamente 5 horas. No entanto, o Larousse indica 12 horas de fermentação. Acho isso impossível na situação de correria em que vivemos e, já que as noites por aqui tem sido frias, de nada iria ajudar deixá-la mais tempo descansando.
Cobri o fundo de duas formas com papel antiaderente e comecei a modelar os pães. Basta pegar uma porção de massa, esticar um pouco com os dedos e enrolar, dando a forma de pães de padaria. Quando estiverem todos dispostos na forma, use uma faca para fazer um corte na parte de cima do pão. Eles não devem ser muito profundos.  Na sequência eu passei um pouco de ovo batido sobre eles, para que ficassem bem douradinhos.
Com o forno pré-aquecido a 220°C, coloquei os pães para assar. Apesar de a indicação ser de 45 minutos para isso, a minha receita ficou pronta em 30 minutos.
Os pãezinhos saíram do forno bem coradinhos, crocantes por fora e bem macios por dentro.  Dobraram de volume em relação à massa. Não achei que fossem ficar tão gostosos, já que a receita é bem simples, mas me surpreenderam.  Vale a pena fazer. Pena que é preciso começar o preparo com tanta antecedência ou então meus cafés da tarde teriam muito mais sabor.
Prato feito. Prato servido. Bon appétit!









terça-feira, 8 de outubro de 2013

Quindão

Algumas vezes a gente passa a vida inteira com vontade de comer alguma coisa e um dia descobre como seria fácil matar essa vontade.
Minha mãe odeia ovos, por esse motivo nunca fez quindim para a gente. Quando criança eu nem sequer sabia o que era isso. Quando eu já estava bem crescidinha, durante uma viagem à praia, vi um quindim na mesa de café da manhã e perguntei ao meu pai o que era. Com simplicidade ele me explicou que era quindim: um doce feito com gemas, açúcar e coco. Fiquei curiosa. Afinal, tanto tempo de vida, mais de 20, e eu nunca havia visto e, consequentemente, nunca havia sentido o sabor de um Quindim.
Naquele dia em questão eu peguei um daqueles doces amarelinhos e brilhantes, embrulhado em papel, coloquei na minha bandeja, junto com os tradicionais pães e leite para o café da manhã, e fui para a mesa. Comi meu primeiro quindim e o sabor que ficou na memória foi o de felicidade. Algo comparável a sensação acalentadora de tomar sol, daqueles bem brilhantes, em uma manhã de verão, à beira mar.
Após esse dia maravilhoso na cidade de São Sebastião, litoral paulista, nunca mais comi um quindim. Minha irmã mais nova também experimentou o doce na ocasião e, como eu, ela lembrou com prazer da experiência hoje, quando contei que estava preparando um Quindão.
A receita do Larousse traz orientações para o preparo do quindim e, ao final, explica como a receita pode ser adaptada a versão maior do prato. O quindim deve ser feito em pequenas formas de empada, untadas com manteiga e polvilhadas com açúcar. Já o Quindão é preparado em uma forma de 25 cm de diâmetro, também untada e polvilhada de açúcar.
Escolhi preparar o Quindão por um motivo bem simples: preguiça. Untar uma forma grande é bem mais fácil que 24 formas pequenas. E a melhor parte? Não precisarei lavar dezenas de forminhas minúsculas lebrecadas de manteiga ao final. To cansadinha hoje gente. Adoro cozinhar, mas não sou fã de lavar louça.
Para o preparo dessa receita precisei separar 11 ovos. Lavei todos e separei as gemas de nove deles. Bati com um batedor fouet por um minuto. Acrescentei os outros dois ovos inteiros e bati bem por mais 1 minuto. Os ovos vão ficar com uma textura bem cremosa e as gemas passam do tom laranja vivo para um mais opaco. Nesse ponto é que a receita começa a ganhar vida.
Meça 350 g de açúcar refinado e vá acrescentando aos poucos aos ovos batidos. Mexa bem. A massa vai ficar pesada, mas pensei em como é bom fazer exercício muscular e continuei batendo. Quem sabe, um dia, ganho músculos definidos só de bater massa?
Após juntar todo o açúcar, acrescente ½ colher de manteiga, bata bem e acrescente muito, mas muuuuuuuito coco ralado. Aí resta apenas preaquecer o forno a 220°C, colocar a massa na forma já untada e polvilhada com açúcar e levar ao forno em banho maria. Durante os primeiros 10 minutos de cozimento, mantenha o forno bem quente, mas depois reduza a 180°C por mais 40 minutos.
Lembram-se de quando eu comentava o quanto era bom sentir o aroma das receitas exalando pela cozinha? Pois é, o Quindão me deixou louca com o cheiro magnífico que tive que ficar sentindo por quase uma hora antes de poder comer.
Retirei do forno, desenformei em uma bandeja para servir e aí veio a surpresa. Apesar de estar aparentemente bem cozido olhando por cima, a parte inferior estava ainda bem mole, não ficou amarelinho e eu fiquei decepcionada. Voltei com a receita para o forno por alguns minutos, pra ver se conseguia deixá-lo mais firme. Deu certo essa parte, mas, como poderão ver pela foto, ele não ficou bonito de ver. Ainda bem que a gente sonha é de olhos fechados né? E que sonho!
Tive que experimentar quente, algo que, acho, não seja aconselhado para o estômago. Mas estava divino. Ansiosa para comer mais amanhã, com ele já geladinho.

Prato feito. Prato servido. Bon appétit!